Influência do aumento da concentração do CO2 atmosférico e da temperatura do ar no desenvolvimento da cultura do café

  • José M. N. Semedo Unidade de Investigação em Biotecnologia e Recursos Genéticos (UIBRG), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV); GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • I. P. Pais Unidade de Investigação em Biotecnologia e Recursos Genéticos (UIBRG), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV); GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • A. P. Rodrigues Forest Studies Center (CEF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), Universidade de Lisboa
  • A. E. Leitão Plant-Environment Interactions and Biodiversity Lab (PlantStress&Biodiversity), Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food (LEAF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), Universidade de Lisboa (ULisboa); GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • A. Ribeiro Plant-Environment Interactions and Biodiversity Lab (PlantStress&Biodiversity), Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food (LEAF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), Universidade de Lisboa; GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • D. Dubberstein Centro de Ciências Agrárias e Engenharias, Universidade Federal do Espirito Santo
  • F. L. Partelli Centro Universitário Norte do Espírito Santo (CEUNES), Dept. Ciências Agrárias e Biológicas (DCAB), Universidade Federal Espírito Santo (UFES
  • F. M. DaMatta .Departamento de Biologia Vegetal, Universidade Federal Viçosa
  • F. C. Lidon GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • P. Scotti-Campos Unidade de Investigação em Biotecnologia e Recursos Genéticos (UIBRG), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV); GeoBioTec, Dept. Ciências da Terra (DCT), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade NOVA de Lisboa
  • J. C. Ramalho Plant-Environment Interactions and Biodiversity Lab (PlantStress&Biodiversity), Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food (LEAF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), Universidade de Lisboa ;

Resumo

O clima condiciona fortemente a produtividade agrícola e mesmo alterações moderadas a severas das condições ambientais poderão afetar a produção, levando a perdas económicas e impactos sociais. O previsível aumento da concentração de CO2 atmosférico, associado a alterações nos padrões de pluviosidade, ao aumento na duração e intensidade da seca, bem como a um aumento generalizado das temperaturas, são realidades cada vez mais presentes em todos os cenários agrícolas. As interações complexas entre estes diferentes fatores alterarão as respostas das plantas com potencial impacto acrescido na produtividade e qualidade dos produtos finais.

O aumento da concentração atmosférica de diferentes gases com efeito de estufa, com destaque para o CO2, tem ocorrido em simultâneo com o aumento da temperatura do ar. Desde o início da revolução industrial no séc. XVIII, a concentração de CO2 aumentou de ca. 280 µL CO2 L-1, tendo ultrapassado 400 µL CO2 L-1 em 2013, sendo previsível que possa atingir valores entre 421 e 936 µL CO2 L-1 no final do século. Adicionalmente, previsões recentes para este século apontam para aumentos da temperatura ao nível da superfície do planeta que poderão ir de 0,3-1,7 ºC, até um extremo de 2,6-4,8 ºC. Este eventual aumento de temperatura levará a alterações drásticas nos teores de humidade do ar e consequentemente nos regimes de pluviosidade. Estas circunstâncias poderão promover condições de seca mais frequentes e extremas. Contrastando com o impacto negativo da redução da disponibilidade hídrica ou do aumento da temperatura, o aumento do valor de CO2 per se pode ter um papel positivo, pois estimula a produção.

A cultura do café é uma das mais importantes culturas de rendimento do mundo, estando presente em mais de 80 países da região tropical e sendo suportada por 2 espécies, Coffea arabica L. (café tipo Arábica) e Coffea canephora Pierre ex A. Froehner, (café tipo Robusta). Neste contexto torna-se premente o estudo dos mecanismos (com destaque para os ecofisiológicos) envolvidos na aclimatação das plantas, a um ambiente em permanente mudança. Recentes projeções indicam perdas significativas da área de cultivo de Coffea sp (particularmente de C. arabica), mas estudos recentes mostraram que o aumento dos valores de CO2 na atmosfera têm um efeito claramente mitigador do impacto de temperaturas supra-óptimas, moderando os impactos antes estimados com base em modelos que não têm em linha de conta este efeito benéfico do CO2.

O conhecimento proveniente de estudos multidisciplinares e a obtenção de indicadores ecofisiológicos auxiliará na seleção de indivíduos mais tolerantes e servirá de ferramentas para o melhoramento de novas plantas com uma maior capacidade de adaptação.

Publicado
2017-10-04
Secção
Resumos: Simpósio em Produção e Transformação de Alimentos