Utilização do biodiesel: perspectiva química e ambiental

  • Ana C. D. V. Pardal Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja
  • M. C. Fernandes CEBAL, Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo, Instituto Politécnico de Beja
  • J. M. Encinar Universidade de Extremadura, Badajoz
  • N. Sanches Universidade de Extremadura, Badajoz
  • H. Chaves Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja

Resumo

A crise do petróleo e a crise energética enfrentadas no fim dos anos 70, início dos anos 80, bem como a preocupação com a exploração de recursos não-renováveis, e a consciência dos impactos ambientais resultantes da utilização dos combustíveis fósseis, trouxeram novos incentivos à procura por combustíveis alternativos aos convencionais, baseados no petróleo. A busca por recursos limpos que permitam garantir as necessidades energéticas futuras, constitui um dos maiores desafios da atualidade.

O biodiesel é um combustível renovável constituído por ésteres metílicos de ácidos gordos (FAME – Fatty Acids Methyl Esters, 1ª geração), geralmente produzido por transesterificação de várias matérias-primas renováveis. Em Portugal, em 2014, existiam 8 produtores de biodiesel, cuja capacidade de produção instalada anual era cerca de 731 mil toneladas, com 45% dela utilizada para o mercado nacional.

A utilização do biodiesel apresenta várias vantagens, económicas, técnicas e ambientais, nomeadamente: I) redução da dependência externa em energia, com evidentes vantagens económicas e políticas; II) é um combustível oxigenado o que facilita a combustão, contribuindo para uma combustão mais limpa; III) redução acentuada das emissões poluentes.

No entanto também apresenta algumas desvantagens, por exemplo: possível concorrência com a indústria alimentar, gerando inflação ou falta dos alimentos. A produção intensiva e sem controlo podem levar à destruição de muitas florestas, dos seus habitats e populações; ponto de congelação superior ao do gasóleo. Algumas das desvantagens da utilização do biodiesel de 1ª geração, bem como este estar limitado até uma incorporação de 7% (v/v), podem ser superadas recorrendo à produção de biodiesel de 2ªgeração (hidrogenação de óleos vegetais) ou no futuro da 3ª geração (tendo em conta a tecnologia usada na produção do biodiesel).

O biodiesel de 2ªgeração resulta da hidrogenação de óleos vegetais com posterior isomerização. Quimicamente é semelhante ao diesel mineral, de elevada qualidade (índice de cetano elevado, propriedades de frio elevadas e densidade mais baixa).

O biodiesel de 3ªgeração resulta da gasificação de materiais vegetais e animais, preferencialmente residuais, com posterior utilização da reação de síntese Fischer-Tropsch para obtenção do biodiesel a partir do gás de síntese. A tecnologia de 3ª geração tem capacidade de utilizar praticamente qualquer tipo de biomassa e outro tipo de resíduos.

Publicado
2017-10-04
Secção
Resumos: Simpósio em Produção e Transformação de Alimentos