Produção sustentável de Chlorella e utilização de biomassa enriquecida na formulação de alimentos

  • Pedro M. Silva Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
  • Luísa M. Silva LNEG-Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Lisboa, Portugal
  • Joana Silva Investigação e Desenvolvimento CMP, ALGAFARM - Unidade de Produção de Microalgas, Pataias, Portugal
  • Hugo Pereira CCMAR - Centre of Marine Sciences, University of Algarve, Faro, Portugal
  • M. Simões Geobiotec, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • N. C. Nunes Unidade de Biotecnologia Ambiental, Departamento de Ciências e Tecnologia da Biomassa, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Portugal

Resumo

As microalgas são consideradas como um dos melhores super alimentos. De entre elas, destacam-se algumas espécies de Chlorella, cujo consumo tem efeitos benéficos nos sistemas imunitário e gastrointestinal, e na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e anemia (Nuño et al., 2013; Yamaguchi, 1996). Estes microrganismos são capazes de converter fontes de carbono orgânico (e.g. açúcares, ácido acético) e/ou inorgânico (dióxido de carbono) em biomassa rica em compostos de alto valor acrescentado (Marques et. al, 2013; Walker et al., 2005 e Martins et al., 2013). Estes incluem proteínas, vitaminas, ácidos gordos, e alguns metabolitos com propriedades antioxidantes, anti-tumorais, anti-inflamatórias e neuroprotetoras (Guedes et al., 2011 e Custódio et al., 2012).

O cultivo industrial de microalgas faz-se em fotobioreatores tubulares abastecidos com água, fontes de carbono e nutrientes, e expostos durante o dia à luz solar, onde pode ser utilizado um inóculo da espécie algal obtido auto/heterotroficamente. Alterações nas condições de cultivo (e.g. excesso ou ausência de determinados nutrientes) podem resultar na acumulação de minerais, e no aumento do perfil lipídico/carotenoides. O crescimento é controlado e no seu decurso é feita a monitorização de parâmetros, nomeadamente da temperatura, do pH, da densidade ótica e do peso seco. Após cultivo, é feita a colheita, a concentração e a secagem da biomassa que, cumpridos requisitos de processamento, é depois encaminhada para os setores da indústria alimentar, das rações para animais, da cosmética, da farmacêutica e dos biocombustíveis (Marques et al., 2011; Walker et al., 2005 e Martins et al., 2013).

A incorporação de microalgas em alimentos tem seguido a via do melhoramento da qualidade nutricional/sensorial, como alternativa aos corantes artificiais, e para benefício da saúde dos consumidores (Marques et al., 2011; Gouveia et al., 2006 e Fradique et al., 2010).

A possibilidade de utilizar nutrientes derivados de subprodutos agroindustriais, como fonte alternativa de carbono e azoto, no cultivo de microalgas, permite a redução dos custos de produção e promove a reutilização de resíduos doutros setores (Girard et al., 2017; Pleissner et. al, 2017; Salati et al., 2017 e Sibi, 2015). Estes são aqui considerados matéria-prima e como tal a sua utilização representa uma mais-valia e uma elevada sustentabilidade económica e ambiental. Neste âmbito, referem-se estudos em curso na ALGFARM para otimização dos processos de cultivo e incorporação de biomassa algal em produtos de elevado valor acrescentado, do ponto de vista económico, nutricional e outros.

Biografia Autor

Pedro M. Silva, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Campus de Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal

Referências

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Publicado
2017-12-20
Secção
Resumos: Simpósio em Produção e Transformação de Alimentos