Uma tecnologia sustentável para o tratamento de efluentes de suinicultura

  • A. Almeida Departamento de Tecnologias e Ciências Aplicadas, Instituto Politécnico de Beja
  • A. Durão Departamento de Engenharia, Instituto Politécnico de Beja
  • A. Prazeres Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo
  • F. Carvalho Departamento de Tecnologias e Ciências Aplicadas, Instituto Politécnico de Beja
Palavras-chave: Azoto amoniacal, efluente de suinicultura, escoamento sub-superficial vertical, Zona Húmida Artificial

Resumo

Os efluentes de suinicultura apresentam uma composição bastante variável, onde se destaca a presença matéria orgânica, azoto, fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, manganês, ferro, zinco, cobre e outros. É ainda de referir a presença de bactérias, vírus e outros microrganismos patogénicos, bem como a presença de resíduos de antibióticos e desinfetantes.

Frequentemente recorre-se aos sistemas de lagoas de estabilização, ou outros, para o seu tratamento. A remoção de azoto é insuficiente e os efluentes tratados possuem ainda elevados teores de compostos azotados, que se descarregados no meio hídrico, ou no solo podem levar à formação de nitratos que causam a diminuição da qualidade das águas superficiais e subterrâneas. Assim, e tendo em vista os critérios de qualidade atualmente exigidos, a remoção de nutrientes e matéria orgânica é inferior à desejável. Deste modo, torna-se necessário dotar os sistemas de tratamento existentes nas explorações suinícolas com soluções mais eficazes de remoção de matéria orgânica e de nutrientes, permitindo a Portaria nº 631/2009, seja cumprida, uma vez que refere que o tratamento dos efluentes deve diminuir o teor de azoto, para minimizar a poluição do solo e das massas de água, bem como reduzir os odores desagradáveis. 

A partir de meados dos anos 90 do seculo passado, as zonas húmidas artificias (ZHA), têm sido usadas com sucesso, no tratamento de efluentes de suinicultura, para remoção de nutrientes e matéria orgânica, utilizados com sucesso.

Este trabalho teve como objetivos: 1) avaliar a possibilidade de se efetuar o tratamento terciário de um efluente de suinicultura, com elevadas concentrações de azoto, após submetido a tratamento em lagoas de estabilização; 2) e determinar eficiências de remoção; 3) estudar o comportamento da planta utilizada. Para o efeito, utilizou-se uma ZHA piloto (0,24 m2 × 0,70 m), com escoamento em modo vertical, plantada com Vetiveria zizanioides em agregados leves de argila expandida, utilizou-se um efluente proveniente de uma suinicultura da região de Setúbal Os ensaios foram delineados de modo a manter a concentração afluente à ZHA praticamente contante, (carência química de oxigénio (CQO) de 600 ± 50 mg L-1, azoto amoniacal (N-NH4+ de 300 ± 35 mg L-1 e azoto Kjealdal (NKJ) de 350 ± 45 mg L-1). Na ZHA piloto, foram testadas cargas hidráulicas crescentes, por forma a avaliar o efeito do tempo de retenção hidráulico e do aumento das cargas mássicas aplicadas, de matéria orgânica e azoto, sobre o desempenho do sistema. A avaliação do crescimento da Vetiveria zizanioides foi efetuada ao longo de todo o período experimental em que decorreram os ensaios. As eficiências de remoção de CQO, N-NH4+ e NKJ foram de 50 ± 10%, 65 ± 10% e 40 ± 15 % respetivamente. A Vetiveria zizanioides demonstrou um bom desempenho no tratamento à escala piloto de efluentes com elevadas concentrações de N-NH4+ como os de suinicultura, necessitando para isso um correto dimensionamento das ZHA para serem aplicadas à escala real. Relativamente ao crescimento das plantas denotou-se uma tendência para estabilizar, no ensaio efetuado com cargas de N-NH4+ mais elevadas, porém, sem outros sintomas de toxicidade evidentes.

Publicado
2017-12-20
Secção
Resumos: Simpósio em Produção e Transformação de Alimentos