Eficiência no uso do azoto, fósforo e potássio em sistemas culturais regados no Baixo Alentejo

  • I. Guerreiro Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja
  • M. Patanita Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja; GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
  • A. Tomaz Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja; GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
  • J. F. Palma Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja
  • J. Dôres Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja
  • L. Boteta Departamento de Biociências, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Beja
Palavras-chave: Alqueva, Monocultura, Rotação, Nutrientes, Eficiência

Resumo

Com base num projeto de demonstração que decorreu nos anos agrícolas 2012/2013 e 2013/2014, realizado em duas explorações agrícolas localizadas no perímetro de rega de Alqueva, quantificou-se a eficiência de uso do azoto, fósforo e potássio (NUE) numa monocultura de milho (M-M) e em duas rotações, cevada+milho-cevada (C+M-C) e girassol-cevada+milho (G-C+M). A avaliação dos teores de matéria orgânica total, fósforo e potássio extraíveis fez-se no ano anterior à instalação do ensaio e previamente à sementeira de cada cultura. Na determinação da eficiência de uso dos nutrientes usaramse as relações seguintes: (I) eficiência de uso do azoto (N) disponível (kg/kg), dada por NUEN=R/ND; (II) eficiência de uso do fósforo (P) disponível (kg/kg), dada por NUEP=R/PD; (III) eficiência de uso do potássio (K) disponível (kg/kg), dada por NUEK=R/KD, onde R é o rendimento da cultura (kg/ha) e ND, PD e KD correspondem, respetivamente, ao N disponível (kg/ha de N) resultante da fertilização mineral e do N libertado por mineralização da matéria orgânica quando o seu teor no solo ultrapassou 2.5%, ao P disponível (kg/ha de P2O5), resultante da fertilização mineral e do teor extraível existente no solo e ao K disponível (Kg/ha de K2O), resultante da fertilização mineral e do teor extraível existente no solo. No milho os valores NUEN foram superiores em monocultura, com o valor mais baixo a verificar-se na rotação G-C+M, refletindo primordialmente as baixas produtividades obtidas pelo milho cultivado em rotação. Em monocultura a NUEN do milho alcançou valores elevados, superiores a 40 kg/kg. O baixo valor de NUEN no girassol (15 kg/kg) indica que a cultura foi pouco eficiente na utilização do azoto disponível, sobretudo em consequência da baixa produtividade da cultura e não de alguma limitação na capacidade de utilização do N pelo girassol.

A NUEP ficou em geral dentro dos intervalos médios espectáveis (45 a110 kg/kg). Foram exceção pela negativa o girassol e o milho na rotação G-C+M. O valor mais elevado de NUEP foi obtido no milho em monocultura e resultou da maior produtividade obtida e da menor disponibilidade de fósforo extraível no solo. Estes resultados demonstram que sempre que o potencial produtivo das culturas foi alcançado, não sendo afetado por fatores de stresse hídrico, fitossanitário ou práticas agronómicas desajustadas, as rotações e as culturas a elas associadas mostraram-se eficientes na utilização deste nutriente. Em todas as culturas a NUEK foi baixa, em geral inferior a 25 kg/kg. Este resultado sugere que as fertilizações potássicas poderiam ter sido inferiores, sem risco de comprometer os rendimentos esperados nem de afetar a fertilidade do solo. O milho foi a cultura mais eficiente na utilização do K. O balanço final dos teores de P e de K extraíveis foi positivo na rotação C+M-C, evidenciando que os nutrientes aplicados via fertilizantes superaram as exportações das culturas. As sucessões M-M e C+M-C apresentaram os melhores indicadores de eficiência de uso de nutrientes, principalmente de azoto e de fósforo. Contudo, verificaram-se, em todas as culturas, baixas eficiências no uso de potássio, evidenciando a necessidade de equacionar cuidadosamente a fertilização potássica.  

Publicado
2017-12-23
Secção
Resumos: Simpósio em Produção e Transformação de Alimentos