Abstract: Projeto Educativo Sénior “À Descoberta das Palavras”

  • Vera Repolho União das Freguesias de Santa Catarina da Serra, 2495-219 Chainça e Chainça Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal

Resumo

Introdução. Vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida onde é pertinente atender ao desenvolvimento, execução e operacionalidade de projetos e atividades que promovam de uma forma holística o bem-estar do mais velho, enquanto ser biopsicosociocultural. Como refere Vieira (2014): “A qualidade de vida na velhice, como em qualquer outra fase da nossa vida, é influenciada pela forma como interagimos com os outros e pela perceção que temos do nosso papel nas redes relacionais a que pertencemos. Sentir a presença das pessoas que nos rodeiam e que nos são significativas, é uma necessidade humana”. Neste sentido surgiu, em 2016 na União das Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça, o Projeto Educativo Sénior “À Descoberta das Palavras”, de cariz intergeracional, promotor de uma educação permanente e de envelhecimento(s) ativo(s).

O projeto tem como objetivos: proporcionar momentos de ensino e aprendizagem a seniores da Freguesia, num espaço educativo de 1º ciclo, juntamente com crianças entre os 6 e os 10 anos; desenvolver relações intergeracionais e combater o isolamento e a exclusão social. Tem como questão investigativa: qual a importância deste Projeto na vida dos seniores da União de Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça?

Metodologia. O estudo que se apresenta centra-se numa abordagem qualitativa, os participantes são 15 seniores da 2ª edição (outubro 2016 a maio de 2017), que frequentaram o Projeto, com idades compreendidas entre os 50 e os 90 anos. A entrevista semiestruturada foi o instrumento usado para a recolha de dados, aplicada no final da 2ª edição do projeto, 2017, onde se pretendeu perceber os motivos para a frequência do Projeto; a pertinência das atividades desenvolvidas com os seniores e com as crianças e as mudanças ocorridas na vida de cada um, desde a sua integração no projeto. As entrevistas foram transcritas e feita a análise de conteúdo das mesmas. Como forma de respeitar todos os princípios éticos, foi obtido o consentimento dos participantes.

Resultados. O Projeto funciona num edifício escolar do agrupamento de escolas da Freguesia, uma vez por semana, com sessões de hora e meia. Os recursos humanos afetos são 3: uma antropóloga, coordenadora do Projeto, que assume também funções administrativas e 2 professoras primárias reformadas que dinamizam as sessões a título voluntário. Existem ainda outros elementos que de forma voluntária colaboram nas atividades e nas dinâmicas.

As sessões visam alfabetizar os seniores, sendo algumas realizadas em conjunto com as crianças de 1º ciclo, atribuindo-lhe um carácter intergeracional. Para além destas, são ainda promovidas atividades recreativas e culturais, como visitas a museus, monumentos e bibliotecas. Sair de casa, regressar à escola, fazer novas aprendizagens, e a possibilidade de conviver, são os motivos mais apontados pelos seniores como justificação para a frequência do Projeto.

Quando questionados sobre a pertinência das atividades desenvolvidas, todos afirmam gostar das atividades realizadas, valorizando, sobretudo, as que envolvem as crianças e as de natureza recreativa e cultural.

A aprendizagem da escrita e da leitura, o desenvolvido de competências comunicacionais e relacionais e uma forma diferente, mais consciente, de encarar a velhice, são as mudanças apontadas, quando levados a refletir sobre as transformações da sua vida pessoal com a integração no Projeto. Estas conclusões vão ao encontro do que Pimentel, Faria & Lopes (2016) (Coord.) apresentam acerca da formação sénior do Politécnico de Leiria.

Conclusões. Estamos perante uma prática de intervenção social e cultural que procura envolver e implicar a comunidade escolar e a comunidade civil. Uma prática que tem originado mudanças, não apenas na vida dos seniores participantes, mas na comunidade da Freguesia em geral.

O projeto desencadeia na população mais velha a tomada de consciência das suas capacidades, que até então se encontravam escondidas, muitas vezes por razões de isolamento, solidão e indiferença dos demais. Corroboramos a perspetiva de Gusmão (2003) ao afirmar que “cada velhice é consequência de uma história de vida”.

Referências

Gusmão, N. (org), (2003). Infância e Velhice: Pesquisa de Ideias. Campinas: Editora Alínea.
Pimentel, L.; Faria, S. & Lopes, S. (2016) (Coord.). Envelhecendo e Aprendendo. A Aprendizagem ao Longo da Vida no Processo de Envelhecimento Ativo. Lisboa: Coisas de Ler.
Vieira, R. (2014). Integração Social na Terceira Idade. Ambientes promotores de envelhecimento ativo. In S Azevedo, e F Correia. Educação e Integração Social, 3º Congresso Internacional de Educação Social, pp. XX-XX. Porto: APTSES e Fronteira do Caos, Editora.
Publicado
2018-12-30
Secção
Perspectivas, Projetos e Intervenções sobre o Envelhecimento