Abstract: Ensino de atividade física a idosos: Comportamentos pedagógicos e clima de aula

  • Joana Alves Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV) e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal
  • Vera Simões Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal
  • Susana Franco Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal
  • Isabel Varregoso Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal http://orcid.org/0000-0002-9403-5858
Palavras-chave: Clima de aula, atividade física, comportamentos pedagógicos, idosos

Resumo

Introdução. A atividade física é um instrumento favorável ao envelhecimento ativo e o papel do técnico, um fator importante no seu ensino. O estudo centra-se nos comportamentos pedagógicos de técnicos que lecionam atividade física a idosos, sendo que o clima de aula resulta das atitudes e comportamentos do técnico, interferindo na satisfação e nas relações estabelecidas (Sabucedo, 2001; Goméz, 2012).

Objetivos. Caracterizar e comparar comportamentos pedagógicos dos técnicos que contribuem positiva e negativamente para o clima de aula de sessões em terra e em água.

Metodologia. Amostra: 12 sessões com idosos (6 - terra, 6 - água) de 12 técnicos experientes (mais de 5 anos de experiência, M ± DP= 9,5 ± 2,7 anos). Registo vídeo de comportamentos de clima de aula; codificação com sistema de observação (teste fidelidade: Kappa de Cohen); análise descritiva (média e desvio-padrão) e comparativa (t teste ou U-Mann-Whitney). Instrumento: Sistema de Observação do Clima de Aulas de Grupo de Fitness (SOCAGF; Dias, 2015): 19 categorias (dimensão clima positivo) e 16 (dimensão clima negativo); métodos de registo: frequência e duração, mediante as categorias.

Resultados e Discussão. Alguns comportamentos de clima positivo foram frequentemente usados (avaliar positivamente a participação do praticante, atenção à intervenção dos praticantes, gracejar, sorrir, interação entre praticantes e incluir no exercício). Alguns comportamentos não foram utilizados (elogiar, aceitar sugestões dos praticantes), sendo importantes na promoção do bom clima de aula (Puente & Anshel, 2010; Franco, Rodrigues & Castañer, 2012). Foram usados alguns comportamentos de clima negativo (indiferença ou afastamento, ausência do espaço - em água; excluir do exercício, indiferença ou afastamento, expressão corporal para clima negativo, avaliar negativamente a participação, ignorar intervenção dos praticantes - em terra).

Na comparação entre grupos: a frequência e a duração dos comportamentos observados foram sempre superiores na dimensão clima positivo, em terra e em água; houve diferenças significativas entre grupos na frequência de alguns comportamentos (movimentação no espaço da aula, encorajar para a participação – superiores em água; exercício participativo – superior em terra). Verificaram-se apenas alguns dos comportamentos que contribuem para o clima de aula, denotando que as variáveis de contexto podem influenciar o clima de aula (Comprido & Varregoso, 2016).

Conclusões. Existiu predominância de comportamentos de clima positivo nos técnicos observados, em sessões em terra e em água, o que pode contribuir para a satisfação e adesão dos praticantes, já que estes são condicionados pelas relações estabelecidas entre técnico e idosos. Ainda que a frequência de comportamentos para clima negativo tenha sido baixa, estes devem ser evitados pelos técnicos. Deve haver preocupação para diversificar o tipo de comportamento para clima positivo, já que alguns nunca foram utilizados e sejam influentes.

Biografia Autor

Isabel Varregoso, Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal

Maria ISABEL VARREGOSO Rebetim Pereira. Concluiu Doutoramento em Motricidade Humana, especialidsde de Dança pela Universidade Técnica de Lisboa em 2004. É Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Leiria. Publicou 25 artigos em revistas especializadas e 45 trabalhos em actas de eventos, possui 9 capítulos de livros e 1 livro publicados. Possui 74 itens de produção técnica. Participou em 1 evento no estrangeiro e 21 em Portugal. Co-orientou 1 tese de doutoramento e orientou 15 dissertações de mestrado nas áreas de Outras Humanidades, Outras Ciências Sociais e Psicologia. Recebeu 1 prémio e/ou homenagem. Entre 2006 e 2009 participou em 2 projectos de investigação, sendo que coordenou 1 destes. Actualmente coordena 1 projecto de investigação. Actua nas áreas de Humanidades com ênfase em Outras Humanidades, Humanidades com ênfase em Artes e Ciências Sociais com ênfase em Outras Ciências Sociais. Nas suas actividades profissionais interagiu com 46 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: dance, community, teaching, contexts, dance, community, traditional and popular, benefit, dance, teaching, teaching contexts, elderly, wellbeing, dance, physical activity, Envelhecimento ativo, Formação sénior, Participação social e Trocas intergeracionais.

Referências

Comprido, A. & Varregoso, I. (2016). Contributo da atividade física para o envelhecimento ativo. O caso do Programa IPL 60+. In L. Pimentel; S. Mónico & S. Faria (Coord.). Envelhecendo e Aprendendo: a aprendizagem ao longo da vida no processo de envelhecimento ativo. Lisboa: Coisas do Ler.
Franco, S., Rodrigues, J. & Castañer, M. (2012). Case study 6.3: the behavior of fitness instructors and the preferences and satisfation levels of users. In O. Camerino, M. Castañer & T. Anguera (Eds.). Mixed Methods Research in the Movement Sciences, 202-2014. Oxon: Routledge.
Goméz, M. (2012). El docente como gestor del clima del aula. Factores a tener em cuenta. Dissertação de Mestrado. Santander: Universidad de Cantabria.
Puente, R. & Anshel, M. (2010). Exerciser’s perception for their fitness instructor’s interaction style, perceived competence and autonomy as a function of self-determined regulation to exercise, enjoyment, affect and exercise frequency. Scandinavian Journal of Pshychology 51(1): 38.45.
Sabucedo, A. (2012). Observación y analisis de los procesos de aula en la universidade: una perspectiva holística. Ensenãnza 19: 181-208.
Publicado
2018-12-30
Secção
Perspectivas, Projetos e Intervenções sobre o Envelhecimento