Abstract: Didática da Dança e Satisfação de Praticantes Idosos

  • Isabel Varregoso Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal http://orcid.org/0000-0002-9403-5858
  • Marisa Barroso Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal http://orcid.org/0000-0001-6847-7911
Palavras-chave: Dança, Idosos, Satisfação com aulas, Benefícios em saúde

Resumo

Introdução. O ensino da Dança para pessoas de idade avançada deve resultar na possibilidade de se ser único na sua corporalidade, expressão e relacionamento (Comprido & Varregoso, 2016). A Dança combina harmoniosamente atividade corporal e artística defendendo-se, para pessoas de idade avançada, uma didática estruturada especificamente com estratégias de expressividade, ludicidade, criatividade e socialização. Proporcionadora de exercitação, componente social, bem-estar psicológico, qualidade de vida ativa e saúde (Varregoso, 2010; 2015).

Objetivos. Verificar se uma didática específica da Dança influencia comportamentos de satisfação em pessoas idosas.

Metodologia. Estudo experimental, descritivo, predominantemente quantitativo respeitando a confidencialidade dos sujeitos. Amostra por conveniência e criterial: 32 idosos (81% mulheres, 19% homens) (dos 64 aos 76 anos, média de idades de 67,2), reformados, maioritariamente casados ou viúvos, maioritariamente com o Ensino Básico, independentes, autónomos, aceitando integrar o estudo. Método de terreno, em ambiente natural, onde ocorreram aulas de dança uma vez por semana, 10 meses, usando procedimentos didáticos específicos (conceção e estratégia de aulas, clima, interações, feedback). Variáveis: opções metodológicas quanto aos parâmetros didáticos referidos, medidas em função do grau de satisfação dos idosos.

Instrumento: Questionário de Satisfação com as Aulas, validado por Comprido (2013), aplicado por escrito no final da atividade, medindo os benefícios percecionados e o nível de satisfação com a atividade (‘Nada’, ‘Pouco’, ‘Satisfatoriamente’ ‘Muito’ ‘Satisfação elevada’). Tratamento percentual, pós-teste, com análise intragrupo em função das variáveis.

Resultados e Discussão. Elevada satisfação: convívio (100%); exercícios (84.6%); dinâmica (84.6%); condição física (84.6%); relacionamento com o professor (82%); movimentar-se (76.9%); relacionamento (76.9%); divertimento (76.9%); atitudes do professor (73%). Muita satisfação: variedade (69.2%); fazer coisas novas (69.2%); Danças (69.2%); ambiente (61.5%); saúde (61.5%). Efeito positivo das aulas: alegria (84.6%); afetividade (84.6%); descontração (69.2%); confiança (69.2%); jovialidade (69.2%); felicidade (61.5%). Estudos similares mostraram níveis de satisfação idênticos evidenciando satisfação preferencial por fatores de clima (Comprido & Varregoso, 2016; Alves 2016), interação do técnico e convívio entre pares proporcionado pelas atividades escolhidas (Comprido, 2013; Varregoso, 2010; 2015) e metodologia das aulas (Comprido, 2013; Varregoso, Machado & Barroso, 2016; Varregoso, 2015).


Conclusões. O nível de satisfação com as aulas foi ‘elevado’ na estrutura e condução da aula e perceção dos benefícios pessoais; e muito satisfeito quanto ao tipo de aulas e sua relação com a saúde e bem-estar psicológico. A didática intencional e especificamente estruturada, pareceu promover comportamentos de satisfação nos idosos envolvidos.

Biografias Autor

Isabel Varregoso, Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal

Maria ISABEL VARREGOSO Rebetim Pereira. Concluiu Doutoramento em Motricidade Humana, especialidsde de Dança pela Universidade Técnica de Lisboa em 2004. É Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Leiria. Publicou 25 artigos em revistas especializadas e 45 trabalhos em actas de eventos, possui 9 capítulos de livros e 1 livro publicados. Possui 74 itens de produção técnica. Participou em 1 evento no estrangeiro e 21 em Portugal. Co-orientou 1 tese de doutoramento e orientou 15 dissertações de mestrado nas áreas de Outras Humanidades, Outras Ciências Sociais e Psicologia. Recebeu 1 prémio e/ou homenagem. Entre 2006 e 2009 participou em 2 projectos de investigação, sendo que coordenou 1 destes. Actualmente coordena 1 projecto de investigação. Actua nas áreas de Humanidades com ênfase em Outras Humanidades, Humanidades com ênfase em Artes e Ciências Sociais com ênfase em Outras Ciências Sociais. Nas suas actividades profissionais interagiu com 46 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: dance, community, teaching, contexts, dance, community, traditional and popular, benefit, dance, teaching, teaching contexts, elderly, wellbeing, dance, physical activity, Envelhecimento ativo, Formação sénior, Participação social e Trocas intergeracionais.

Marisa Barroso, Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV), Instituto Politécnico de Santarém, 2001-902 Santarém e Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), 2411-901 Leiria, Portugal

Licenciada em Desporto Natureza e Turismo Activo pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Formadora especializada na área da animação, técnicas de grupo e pinturas faciais. Professora da Escola Superior de Educação e Ciências Socias do Instituto Politécnico de Leiria.

Referências

Alves, J. (2016). A relação pedagógica no ensino de atividades físicas para idosos: clima nas aulas em terra e em água. Dissertação de Mestrado para um Envelhecimento Ativo. Leiria: IPL, ESS/ESECS.
Comprido, A. & Varregoso, I. (2016). Contributo da atividade física para o envelhecimento ativo. O caso do Programa IPL 60+. In L. Pimentel; S. Mónico & S. Faria (Coord.). Envelhecendo e Aprendendo: a aprendizagem ao longo da vida no processo de envelhecimento ativo. Lisboa: Coisas do Ler, 195-208.
Varregoso, I. (2010). O papel da dança na construção de uma nova cultura acerca do envelhecimento. In R.M. Martins & S.I. Hagen (org.). Ame todas as Suas Rugas. Florianópolis, SC: Instituto Ame Suas Rugas, 119-130.
Varregoso, I. (2015). Os muito velhos também dançam. E-balonnmano.com: Journal of Sport Science, 11 (Supl. 2): 151-152.
Varregoso, I; Machado, R. & Barroso, M. (2016). A Dança como contributo para a qualidade de vida de idosos institucionalizados e não institucionalizados. Revista UIIPS 4(2): 250-272.
Publicado
2018-12-30
Secção
Perspectivas, Projetos e Intervenções sobre o Envelhecimento