Nas tuas palavras descubro o meu quotidiano

  • Catarina Inês Costa Afonso ECCI, Odivelas, Portugal

Resumo

Os enfermeiros, os profissionais da relação com o outro, no encontro com a pessoa querem conhecer a sua história, explorando os eventos de vida como forma de estar em relação. Os enfermeiros crescem com as histórias que escutam, cruzam-nas, recontam-nas, tornam-se contadores de histórias.

“O meu dia-a-dia” é a narrativa do Sr C. onde o próprio fala de si e da sua experiência de doença desde o aparecimento até à atualidade, com momentos de reflexão onde reclama o encontro de sentido de vida. “ O ano de 2013 modificou a minha vida, totalmente. O aparecimento de um nódulo do pulmão direito, felizmente operável, o qual me foi extraído. A amputação da perna direita. Um ano verdadeiramente horrível.” (…)“O pouco que durmo faço-o durante o dia. (…) a falta de apetite que tem aumentado gradualmente. Quase não me alimento. Sinto-me débil. As forças fogem-me”(…).“O pensamento marca o domínio de um ciclo de vida onde recordar me alimenta noite e dia. Partilho inteiramente com o que Agatha Christie refere no início da sua autobiografia – A vantagem de avançar na idade é o que a velhice nos permite – recordar. Hoje vivo mais de ausências do que de vivências. Do que não faço do que faço. (…) Vivo mais resignado que conformado”(…).  Contar a história de si é deixar a quem ouve, a experiência de vida, num processo retrospectivo de construção de sentido. A co-criação de sentido na narrativa pessoal é um processo ético que a Enfermagem realiza com arte.

Publicado
2015-11-20
Secção
Resumos: Conferência Internacional Silver Stories